segunda-feira, 25 de maio de 2026

Sonhos estranhos



Há sonhos que desaparecem minutos depois de acordarmos. Outros ficam connosco o dia inteiro, como se tivessem deixado uma marca invisível na alma. Esta noite tive um desses sonhos.

Sonhei que estava em casa dos meus avós maternos. No sonho, ambos estavam vivos. Estávamos lá eu, o meu marido e os nossos quatro gatos. O ambiente era estranho, mas ao mesmo tempo tranquilo. Havia uma certeza silenciosa no ar: eu sabia que ia morrer naquele dia.

Disseram-me que precisava de comer ovos cozidos para poder partir sem agonia. Não senti medo. Apenas uma espécie de aceitação calma. Entretanto fui ajudar a minha avó a fazer qualquer coisa em casa e distraí-me completamente da hora em que supostamente deveria morrer.

Foi então que apareceu uma mulher-anjo à janela. Chamava por mim com serenidade, dizendo que eu tinha ultrapassado a minha hora e que estavam à minha espera.

Pediu-me as mãos.

Eu dei-lhas.

E morri.

Acordei profundamente impressionada com a intensidade e a paz daquele sonho. Não houve terror, perseguição ou sofrimento. Apenas uma sensação de passagem, como se estivesse a atravessar uma porta invisível entre duas fases.

Muitas pessoas associam sonhos com a própria morte a maus presságios, mas a verdade é que, simbolicamente, estes sonhos costumam representar transformação, desgaste emocional ou o fim de um ciclo interior. A morte nos sonhos raramente fala da morte física; fala mais de mudanças profundas dentro de nós.

Talvez o meu subconsciente esteja apenas cansado. Talvez esteja a processar emoções, ansiedade, noites mal dormidas e o peso psicológico acumulado dos últimos tempos. Ou talvez o sonho tenha sido apenas um lembrete estranho de que, por vezes, precisamos deixar morrer partes de nós para conseguirmos continuar.

Seja qual for o significado, foi um daqueles sonhos impossíveis de esquecer.



I




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